arqui]vos de antropo[logia

[S 10, –]

[S 10, 1]

Em seus Salões, Baudelaire revelou-se um inimigo intransigente do gênero. Baudelaire situa-se no início do Jugendstil, que representa uma tentativa de liquidar o gênero. Nas Fleurs du Mal, o Jugendstil se manifesta pela primeira vez com seu tema floral característico.


[S 10, 2]

A seguinte passagem de Valéry (Œuvres Complètes, J, cit. em Thérive, Le Temps, 20 abr. 1939) pode ser lida como uma réplica a Baudelaire: “0 homem moderno é escravo da modernidade… Em breve será necessário construir celas rigorosamente isoladas… Aí serão desprezados a velocidade, o número, os efeitos de massa, de surpresa, de contraste, de repetição, de novidade e de credulidade.”


[S 10, 3]

Sobre a sensação: este arranjo — a novidade e a depreciação que a atinge como um choque — encontrou desde meados do século XIX uma expressão particularmente drástica. A moeda usada nada perde de seu valor; o selo carimbado é depreciado. É sem dúvida o primeiro valor cuja validade é indissociável de seu caráter de novidade. (O reconhecimento do valor coincide aqui com a desvalorização.)


[S 10, 4]

Sobre o tema da infertilidade no Jugendstil: considerava-se a concepção como a maneira mais indigna de subscrever o lado animal da criação.


[S 10, 5]

Conceber o “não” como a antítese do “planejado”. A propósito do piano, comparar Lesabéndio, de Scheerbart: estamos todos tão cansados porque não temos nenhum plano.


[S 10, 6]

“Novidade. Vontade de novidade. O novo é um daqueles venenos excitantes que acabam sendo mais necessários que qualquer alimento, e cuja dose é preciso aumentar sempre, uma vez que são nossos senhores, e torná-la mortal porque sem ela morreríamos. É estranho prender-se assim à parte perecível das coisas, que é exatamente sua qualidade de serem novas.” Paul Valéry, Choses Tues, Paris, 1930, pp. 14-15.