arqui]vos de antropo[logia

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[p 1, 1]

As arrogantes e lacrimosas Mémoires de Chodruc-Duclos, recolhidas e publicadas por J. Arago e Édouard Gouin, Paris, 1843 (volumes I e II), são ocasionalmente interessantes por apresentarem elementos para uma fisiologia do mendigo. O longo prefacio não vem assinado e não esclarece nada sobre o manuscrito. As memórias podem ser apócrifas. Lê-se o seguinte: Que ninguém se engane: não é tanto a recusa que humilha, mas o óbulo… Eu jamais pedia estendendo a mão. Andava mais depressa que aquele que deveria fazer justiça à minha requisição, abria minha mão direita, e ele deslizava nela alguma coisa.” Vol. II, pp. 11-12. E ainda: “A água sustenta!… eu me fartava de água porque não tinha pão.” Vol. II, p. 19.

nota[s] do[s] editor[es]
[J.L.] Este homem, outrora elegante, de uma família rica de Bordeaux e centro de uma giamorosa vida social, tentou, em vão, fazer fortuna em Paris e acabou vivendo uma existência de mendigo. Passeando diariamente pelo Palais-Royal, com sua longa barba, vestido de trapos, e proferindo discursos cínicos, essa figura excêntrica tornou-se parte da crônica parisiense. Morreu em 11 de outubro de 1842. Dumas o considerou um “Diógenes moderno”, e Baudelaire o associou a Sócrates (Œuvres Complètes, ed. org. por C. Pichois, vol. 1, p. 604 e nota). Cf. A 6a, 5.


[p 1,2]

Cena no dormitório de uma prisão, no início dos anos trinta. Benoist cita a passagem, sem revelar o autor: “À noite, no dormitório barulhento, ‘os operários republicanos, antes de se deitarem, apresentavam A Revolução de 1830, espécie de charada teatral composta por eles. Ela reproduzia todas as cenas da gloriosa semana, desde a deliberação de Charles X e dos ministros para a assinatura das Ordenanças até o triunfo do povo; representava-se o combate de barricadas com uma guerra de travesseiros por trás das camas e dos colchões empilhados, e, no fim, os vencedores e os vencidos se reconciliavam para cantar a Marselhesa.” Charles Benoist, “L’homme de 1848”, parte I, Revue de Deux Mondes, 1 jul. 1913, p. 147. 0 texto citado encontra-se provavelmente em Chateaubriand.


[p 1, 3]

Ganeau. “O Mapah … apresenta-se com a aparência de um perfeito dândi, apaixonado por cavalos, amante das mulheres, apreciador da boa comida, mas completamente desprovido de dinheiro. Supre essa falta de pecúlio com o jogo: é um habitué de todas as casas de jogo do Palais-Royal… Ele se imagina destinado a ser o redentor da companheira do homem, e … toma o título de Mapah, nome formado das primeiras silabas de duas palavras — mamãe e papai. E acrescenta que todos os nomes próprios devem ser modificados da seguinte maneira: deve-se levar não mais o nome do pai, mas a primeira sílaba do nome materno combinada com a primeira sílaba do nome paterno. E para deixar bem claro que se despojou para sempre de seu antigo nome … ele assina: ‘Aquele que um dia foi Ganeau.'” Ele distribui seus panfletos na saída dos teatros ou os envia; tentou até mesmo persuadir Victor Hugo a ser patrono de sua doutrina. Jules Bertaut, “Le ‘Mapah'”, Le Temps, 21 set. 1935.


[p 1a, 1]

Charles Louandre sobre as fisiologias que ele acusa de corromper os costumes: “Esse triste gênero … logo cumpriu seu destino. A fisiologia, que se publica no formato in-32 para ser comprada … pelas pessoas que passeiam, figurava, em 1836, na Bibliographie de la France, com 2 volumes. Ela apresenta 8 volumes em 1838, 76 em 1841, 44 em 1842, 15 no ano seguinte, e, na melhor das hipóteses, 3 ou 4 nos últimos dois anos. Da fisiologia dos indivíduos passou-se à fisiologia das cidades. Havia Paris la nuit, Paris à table, Paris dans l’eau, Paris à cheval, Paris pittoresque, Paris bohémien, Paris littéraire, Paris marié. Em seguida, veio a fisiologia dos povos: Les français, les anglais peints par eux-mêmes; depois a fisiologia dos animais: Les animaux peints par eux-mêmes et dessinés par d’autres. Enfim … os autores … já sem assunto, acabaram pintando a si mesmos e nos deram La physiologie des physiologistes.”‘ Charles Louandre, “Statistique littéraire de la production intellectuelle en France depuis quinze ans”, Revue de Deux Mondes, 15 nov. 1847, pp. 686-687.

nota[s] do[s] editor[es]
[w.b.] Paris à noite, Paris à mesa, Paris nas águas, Paris à cavalo, Paris pitoresca, Paris boêmia, Paris literária, Paris se casa; Os franceses, Os ingleses pintados por eles mesmos; Os animais pintados por eles mesmos e desenhados por outros; A fisiologia dos fisiologistas.


[p 1a, 2]

Teses de Toussenel: “Que a felicidade dos indivíduos está em proporção direta com a autoridade feminina”; “que o nível das espécies está em proporção direta com a autoridade feminina.” A. Toussenel, Le Monde des Oiseaux [O Mundo dos Pássaros], vol. I, Paris, 1853, P. 485. A primeira é a “fórmula do Gavião” (p. 39).


[p 1a, 3]

Toussenel sobre seu Le Monde des Oiseaux: “0 mundo dos pássaros é apenas o tema secundário deste livro, enquanto o mundo dos homens é o tema principal.” Op. cit., vol. I, p. 2 (Prefácio do autor).


[p 1a, 4]

Toussenel no Prefácio de seu Le Monde des Oiseaux: “Ele [o autor] procurou ressaltar a importância do aspecto culinário de seu assunto, conferindo ao artigo ‘Rôti’ [Assado] mais espaço do que normalmente ele ocupa nas obras científicas.” Op. cit., vol. I, p. 2.


[p 1a, 5]

“Admiramos os pássaros … porque entre os pássaros, como em toda política bem organizada, … é a galanteria que determina a posição… Sentimos de imediato que a mulher, que saiu das mãos do Criador depois do homem, foi feita para comandar este, como este nasceu para comandar os animais que vieram antes dele.” Op. cit., p. 38.


[p 1a, 6]

Segundo Toussenel, as raças que colocam a mulher numa posição elevada são superiores; ocasionalmente, os germanos, mas sobretudo os franceses e gregos: “Assim como o ateniense e o francês têm a marca do falcão, o romano e o inglês têm a da águia.” (A águia, porém, “não se reúne a serviço da humanidade”.) A. Toussenel, Le Monde des Oiseaux, vol. I, Paris, 1853, p. 125.