arqui]vos de antropo[logia

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[p 2, 1]

Fisiologias cômicas: Musée pour rire; Musée Philipon; Musée ou Magasin comique; Musée parisien; Les métamorphoses du jour.


[p 2, 2]

Uma série gráfica: Les Vésuviennes, de Beaumont: 20 pranchas. A série de Daumier: Les Divorceuses. Uma série — de quem? — : Les Bas-bleus.

nota[s] do[s] editor[es]
[R.T.] [Les Bas-bleus] Litografias de Daumier em Le Charivari (1844).


[p 2, 3]

Surgimento das fisiologias: “A acalorada batalha política dos anos de 1830-1835 formou um exército de desenhistas … e este exército … foi, do ponto de vista político, posto totalmente fora de combate pelas leis de setembro. Portanto, na época em que esse exército já havia pesquisado todos os segredos de sua arte, ele foi bruscamente isolado em um único campo de atuação: a descrição da vida burguesa… Este é o pressuposto que explica o grandioso painel da vida burguesa que se iniciou por volta de meados dos anos trinta na França… Tudo passava em desfile … dias alegres, dias tristes, dias de trabalho e de descanso, costumes conjugais e hábitos do celibatário, família, casa, crianças, escola, sociedade, teatro, tipos, profissões.” Eduard Fuchs, Die Karikatur der europäischen Völker, 4a ed., Munique, 1921, vol. I, p. 362.


[p 2, 4]

Quanta mesquinharia se afirmou mais uma vez, no fim do século, na apresentação de temas fisiológicos! Um exemplo característico é a descrição da impotência, extraída do livro de Maillard sobre a história da emancipação feminina, que fornece, em seu tom geral, um testemunho drástico da reação da burguesia consolidada frente ao materialismo antropológico. A propósito da apresentação da doutrina de Claire Démar, lê-se o seguinte: “Ela … falará das decepções que podem resultar do sacrifício imenso e incomum a que se arrisca mais de um jovem, sob o sol ardente da Itália, para ter a chance de tornar-se um cantor célebre.” Firmin Maillard, La Légende de la Femme Émancipée, Paris, p. 98.

nota[s] do[s] editor[es]
[J.L.; w.b.] Sobre o “heroísmo” de Claire Demar, ver U 14, 5 e W. Benjamin, “Das Paris des Second Empire bei Baudelaire”, GS I, 594-595 — “Paris do Segundo Império”, OE III, pp. 88-90.


[p 2, 5]

Uma passagem capital do manifesto de Claire Démar: “A união dos sexos no futuro deverá ser o resultado de simpatias … profundamente estudadas…, mesmo que se reconheça a existência de relações íntimas, secretas e misteriosas entre duas almas. Tudo isso ainda poderá ruir por conta de uma última prova decisiva, mas necessária, indispensável: a PROVA da MATÉRIA pela MATÉRIA; o EXPERIMENTO da CARNE pela CARNE!!!… É que, muitas vezes, na soleira da alcova, uma chama devoradora já se apagou; é que, muitas vezes, para mais de uma grande paixão, os lençóis perfumados do leito se tornaram uma mortalha; é que, mais de uma…, ao ler estas linhas, já terá entrado, certa noite, no leito do himeneu, palpitante de desejos e emoções, e levantado pela manhã fria e gelada.” Claire Démar, Ma Loi d’Avenir, Paris, 1834, pp. 31-32.


[p 2a, 1]

Sobre o materialismo antropológico. Conclusão de Ma Loi d’Avenir, de Claire Démar: “Basta de maternidade, basta de lei do sangue. Digo: chega de maternidade. Com efeito, a mulher libertada … do homem, que não lhe pagará mais o preço de seu corpo, … manterá sua existência somente com seu trabalho. Para tanto, pois, é necessário que a mulher busque um trabalho, que ocupe uma função — e como ela poderia fazê-lo, se vive condenada a dedicar uma parte mais ou menos extensa de sua vida aos cuidados que exige a educação de um ou de vários filhos? …Vocês querem libertar a mulher? Pois bem, tirem o recém-nascido do seio da mãe de sangue e levem-no para os braços de uma mãe social, da ama funcionária, e a criança será mais bem educada… Então — e somente então — homem, mulher e criança serão todos libertados da lei do sangue, da exploração da humanidade pela humanidade.” Claire Démar, Ma Loi dAvenir: Ouvrage Posthume Publié par Suzanne, Paris, 1834, pp. 58-59.


[p 2a, 2]

“O quê! Então só porque uma mulher não fez confidências ao público sobre suas sensações de mulher; só porque entre todos os homens que a envolveram com suas atenções, nenhum outro olhar, além do seu, é capaz de distinguir aquele que ela prefere…, conclui-se … que ela seria … a escrava de um homem?… O quê! A mulher assim seria explorada porque, se ela não temesse que eles iriam se estraçalhar, ela poderia satisfazer simultaneamente o amor de vários homens… Acredito, como o Sr. James de Laurence, na necessidade … de uma liberdade sem … limites … apoiada no mistério que é, para mim, a base da nova moral.” Claire Démar, Ma Loi d’Avenir, Paris, 1834, pp. 31-32.


[p 2a, 3]

A exigência do “mistério” nas relações entre os sexos, em oposição a sua “publicidade”, para Démar, está estreitamente relacionada com a exigência de períodos probatórios mais ou menos longos. Não obstante, para ela, a forma tradicional do casamento deveria ser suplantada por uma forma mais flexível. Ademais, a reivindicação do matriarcado decorre logicamente destas concepções.


[p 2a, 4]

Extraído da argumentação contra o patriarcado: “Ah! É com o apoio de um imenso feixe de punhais parricidas, entre os gemidos lançados de tantos peitos, só pelos nomes de ‘pai’ e de ‘mãe’, que eu me aventuro a levantar a voz … contra a lei do sangue, a lei da geração!” Claire Démar, Ma Loi d’Avenir, Paris, 1834, pp. 54-55.


[p 2a, 5]

A caricatura representa um papel importante na elaboração das legendas. Significativamente, Henri Bouchot, em La Lithographie (Paris, 1895, p. 114) recrimina Daumier pelo tamanho e a importância excessiva atribuída às suas legendas.

nota[s] do[s] editor[es]
[R.T.] A indicação bibliográfica de Benjamin não procede.


[p 2a, 6]

Henri Bouchot, em La Lithographie (Paris, p. 138) compara Devéria, no que diz respeito a sua produtividade, com Balzac e Dumas.