arqui]vos de antropo[logia

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Extraído da constituição das Vesuvianas: “As cidadãs deverão formar um contingente para os exércitos de terra e mar… As recrutas formarão um exército designado como reserva, que será distribuído em três divisões: a das operárias, a das vivandeiras, a de caridade… Sendo o casamento uma associação, cada um dos dois esposos deve participar de todos os trabalhos. Todo marido que se recusar a fazer sua parte nos cuidados domésticos será condenado … a assumir, em vez de seu serviço pessoal na Garde Nationale, o serviço de sua mulher na Guarda Cívica.” Firmin Maillard, La Legende de la Femme Émancipée, Paris, pp. 179 e 181.


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Os sentimentos contraditórios provocados por Hegel nos membros da Jovem Alemanha, que oscilavam entre uma forte atração e uma repulsa ainda mais forte, manifestam-se da maneira mais eloqüente em Quarantäne im Irrenhause [Quarentena no manicômio] de Gustav Kühne… Pelo fato de a Jovem Alemanha dar mais ênfase ao livre-arbítrio subjetivo que à liberdade objetiva, os jovens hegelianos desprezavam a ‘confusão sem princípios’ de seu ‘egoísmo beletrista… Ouviu-se ecoar nas fileiras da Jovem Alemanha o temor de que a dialética implacável da doutrina hegeliana pudesse privar a juventude da força necessária para a ação, mas esta preocupação revelou-se injustificada.” Ao contrário, quando os membros da Jovem Alemanha, “após a proibição de seus escritos, precisaram reconhecer que já tinham queimado o bastante as próprias mãos, e esperavam ainda poder viver uma vida bem burguesa com seu trabalho diligente, o seu ímpeto arrefeceu rapidamente”. Gustav Mayer, Friedrich Engels, vol. 1, Friedrich Engels in seiner Frühzeit, Berlim, 1933, pp. 37-39.


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Na época em que apareceram as “fisiologias”, historiadores como Thierry, Mignet e Guizot deram ênfase à análise da “vida burguesa”.


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Engels sobre a região de Wuppertal: “Aqui, prepara-se um terreno magnífico para nosso princípio, e assim que pudermos pôr em movimento nossos valentes e inflamados tintureiros e branqueadores, tu ainda te surpreenderás com Wuppertal. Já faz alguns anos que os trabalhadores atingiram o último estágio da velha civilização; com um aumento acelerado de crimes, roubos e assassinatos, eles protestam contra a velha organização social. As ruas são muito inseguras à noite, a burguesia é surrada, ferida a facadas e roubada. Se os proletários daqui evoluírem segundo as mesmas leis dos proletários ingleses, logo perceberão que esta forma de protesto … é inútil, e protestarão como homens em sua capacidade plena: com os meios do comunismo.” Engels a Marx, outubro de 1844, de Barmen, in: Karl Marx e Friedrich Engels, Briefwechsel, ed. org. pelo Instituto Marx-Engels-Lenin, vol. I, Zurique, 1935, pp. 4-5.


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0 ideal heróico de Baudelaire é andrógino. Isto não o impede de escrever: “Conhecemos a mulher autora filantropa, a sacerdotisa sistemática do amor, a poetisa republicana, a poetisa do futuro, fourierista ou saint-simoniana; e nossos olhos … nunca conseguiram se acostumar com toda essa feiúra presunçosa.” Baudelaire, L’Art Romantique, tomo III, Paris, Ed. Hachette, p. 340 (“Marceline Desbordes-Valmore”).

nota do[s] editor[es]
[R.T.] Baudelaire, OC II, p. 146.


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Uma das últimas seitas que surgiram no século XIX é a religião fusionista. Ela foi propagada por L. J. B. de Tourreil (nascido no ano VIII, morto em 1863 (ou 68?)). A influência de Fourier faz-se notar em sua periodização da história; a Saint-Simon se deve sua concepção da Trindade como uma unidade de Pai-Mãe com a qual se associa Filha-Filho ou Andrógino. A substância universal é determinada em seu comportamento por três processos, em cuja definição manifesta-se o fundo medíocre desta doutrina. Estes processos são: “A emanação, … propriedade que a substância universal possui de se expandir infinitamente para fora de si mesma… A absorção, propriedade que a substância universal possui de se voltar infinitamente sobre si mesma… A assimilação, propriedade que a substância universal possui de penetrar intimamente em si mesma.” (p. 1) — Uma passagem característica é o aforismo: “Pobres, ricos”, que se dirige aos ricos e lhes fala sobre os pobres: “Aliás, se não quereis erguê-los até o vosso nível e sentis desprezo ao misturar-se a eles, por que então respirais o mesmo ar, habitais a mesma atmosfera? Para não respirar e assimilar sua emanação … é preciso deixar este mundo, respirar um outro ar, viver numa outra atmosfera.” (p. 267) — Os mortos são multiformes e existem simultaneamente em muitos lugares da terra. Por isso, os homens precisam se interessar muito, durante sua vida, pela melhora da terra (p. 307). Finalmente, tudo se reúne em uma série de sóis que, após terem percorrido o estágio unilumiére [luz única] realizam a “luz universal” na “região universalizante”. Religion Fusionienne, ou Doctrine de l’Universalisation Réalisant le Vrai Catholicisme, Paris, 1902.