arqui]vos de antropo[logia

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“A Paris dos Saint-Simonianos.” Do projeto enviado por Charles Duveyrier a L’Advocat, para ser integrado ao Livre des Cent-et-un (o que acabou não ocorrendo): “Quisemos dar forma humana à primeira cidade sob a inspiração de nossa fé.” “O bom Deus disse pela boca do homem que ele envia… Paris! É nas margens de teu rio e sobre o território dentro de teus muros que imprimirei o selo de minha generosidade… Teus reis e teus povos caminharam com a lentidão dos séculos e se detiveram numa praça magnífica. É ali que repousará a cabeça da minha cidade… Os palácios de teus reis serão sua fronte… Conservarei sua barba de altos castanheiros… Varrerei o velho templo cristão do alto dessa cabeça … e sobre esse terreno limpo estenderei uma cabeleira de árvores… Sobre o peito de minha cidade, nesse lar simpático de onde irradiam e para onde convergem todas as paixões, ali onde vibram as dores e as alegrias, construirei meu templo…, plexo solar do colosso… As colinas do Roule e de Chaillot serão seus flancos; colocarei ali o banco e a universidade, os mercados e as gráficas… Estenderei o braço esquerdo do colosso sobre a margem do Sena; ele estará … no lado oposto … a Passy. A associação dos engenheiros … constituirá a parte superior, que se estenderá em direção a Vaugirard; formarei o antebraço da reunião de todas as escolas especiais das ciências físicas… No vão do braço … agruparei todos os liceus, para que minha cidade os aperte contra o seio esquerdo, onde fica a Universidade… Estenderei o braço direito do colosso em sinal de força até a estação de Saint-Ouen… Encherei esse braço das oficinas da pequena indústria, de passagens, galerias, bazares… Formarei a coxa e a perna direita com todos os estabelecimentos das grandes fábricas. O pé direito pousará em Neuilly. A coxa esquerda oferecerá aos estrangeiros longas filas de hotéis. A perna esquerda se estenderá até o Bois de Boulogne… Minha cidade está na atitude de um homem prestes a caminhar; seus pés são de bronze e se apóiam sobre uma dupla estrada de pedra e de ferro. Aqui se fabricam … os veículos de transporte e os aparelhos de comunicação; aqui as carruagens disputam em velocidade… Entre os joelhos está uma arena de equitação, em forma de elipse; entre as pernas, um imenso hipódromo.” Henry-René d’Allemagne, Les Saint-Simoniens 1827-1837, Paris, 1930, pp. 309-310. A idéia desse projeto deve-se a Enfantin, que utilizou pranchas anatômicas para a planificação da cidade do futuro.

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