arqui]vos de antropo[logia

[O 2a, 1]

Ritos de passagem – assim se denominam no folclore as cerimônias ligadas à morte, ao nascimento, ao casamento, à puberdade, etc. Na vida moderna, estas transições tornaram-se cada vez mais irreconhecíveis e difíceis de vivenciar. Tornamo-nos muito pobres em experiências liminares. O adormecer talvez seja a única delas que nos restou. (E, com isso, também o despertar.) E, finalmente, tal qual as variações das figuras do sonho, oscilam também em torno de limiares os altos e baixos da conversação e as mudanças sexuais do amor. “Como agrada ao homem”, diz Aragon, “manter-se na soleira da imaginação!” (Paysan de Paris, 1926, p. 74). Não é apenas dos limiares destas portas fantásticas, mas dos limiares em geral que os amantes, os amigos, adoram sugar as forças. As prostitutas, porém, amam os limiares das portas do sonho. – O limiar [Schwelle] deve ser rigorosamente diferenciado da fronteira [Grenze]. O limiar é uma zona. Mudança, transição, fluxo estão contidos na palavra schwellen (inchar, intumescer), e a etimologia não deve negligenciar estes significados. Por outro lado, é necessário determinar o contexto tectônico e cerimonial imediato que deu à palavra o seu significado. ■ Morada de sonho ■

1 comentário

  1. Denise Pimenta

    “5 de junho de 1977

    Você me dá as palavras, você as entrega, dispensadas uma a uma, as minhas palavras, voltando-as em direção a você e endereçando-as a você – e nunca as amei tanto, as mais comuns tendo se tornado muito raras, nem tão pouco amei tanto perdê-las, destruí-las com o esquecimento no próprio instante em que você as recebe, e este instante precederia quase tudo, meu envio, eu mesmo, para que elas aconteçam apenas uma vez. Uma única vez, você percebe a loucura para a palavra? Ou qualquer traço que seja?

    Eros na época da reprodutibilidade técnica. Você conhece esta velha história da reprodução, com o sonho da língua cifrada (…) aquilo que nunca decidirei é publicar algo que não seja cartões-postais, a falar-lhes… Adolescente, quando fazia amor contra a parede, e que me dizia a respeito deles -você sabe, eu lhe contei. O que prefiro no cartão-postal é que não se sabe o que está na frente ou atrás, aqui ou lá, perto ou longe, Platão ou Sócrates, frente ou verso.”

    (Derrida “O cartão-postal”)

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