arqui]vos de antropo[logia

[O 3a, 1]

Professeurs de la langue verte.’ “Não possuindo nada além de uma perfeita experiência das combinações vencedoras, das séries e das intermitências, eles se instalavam nas casas de jogo da abertura ao encerramento, e terminavam a noite nos antros de bouillotte, chamados de casas Baural. À espreita de noviços, de iniciantes … esses estranhos professores davam conselhos, discutiam jogadas passadas, prediziam as jogadas futuras e jogavam pelos outros. Em caso de perda, eles não faziam senão maldizer a sorte, suspeitar de um lance fraudulento, responsabilizar o azar, o dia do mês se fosse um 13, o dia da semana se fosse uma sexta-feira. Em caso de ganho, pegavam seu prêmio, independentemente do que escamoteavam durante o manuseio dos fundos, operação que se chamava: ‘garantir o leite das crianças’. Esses operadores se dividiam em várias classes: os aristocratas, todos coronéis ou marqueses do Antigo Regime, os plebeus oriundos da Revolução, enfim, aqueles que ofereciam seus conselhos por cinqüenta centavos.” Alfred Marquiset, Jeux et Joueurs d’Autrefois, 1789-1837, Paris, 1917, P. 209. O livro contém dados preciosos sobre o papel da aristocracia e dos militares na exploração do jogo.

nota[s] do[s] editor[es]
[E/M; w.b.] Langue verte (“língua verde”) é sinônimo de argot e significa “giria (parisiense)”. Cf. Alfred Delvau, Dictionnaire de la Langue Verte, Paris, 1866; ver também P 3a, 4. — Neste contexto específico, porém, em que se trata do jargão dos profissionais do jogo, parece haver um trocadilho com o “pano verde” da mesa de jogos; por isso, ha duas opções de tradução: “professores de gíria” ou “professores da língua do pano verde”.

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